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  • Foto do escritorLuisa Melo Guerrero

Às Vezes Quero Sumir (2023)


Daisy Ridley em Às Vezes Quero Sumir (2023)

Melancólico e difícil, Às Vezes Quero Sumir é o novo longa da diretora Rachel Lambert, que retrata a depressão através da personagem Fran (Daisy Ridley), uma mulher cujo trabalho metódico em um escritório parece ser a única motivação para levantar-se da cama todos os dias. A tradução do título para o português parece suavizar o que realmente se passa na mente da personagem: "Sometimes I Think About Dying" ("às vezes eu penso em morrer") poder ser menos agradável, mas assim é a vida desta personagem.


Daisy Ridley (Star Wars, Mundo em Caos) faz um excelente trabalho ao transmitir com precisão a apatia e falta de energia sentidas em um quadro de depressão. A rotina sistemática, a ausência de hobbies, família ou amigos próximos. A falta de interações sociais e a dificuldade de estar em ambientes públicos. Um silêncio ensurdecedor que pode vir da simples falta de vontade de falar, ou talvez de não conseguir encontrar palavras que valham a pena ser ditas.


Um dos elementos mais interessantes do filme é o modo como a fotografia consegue se aproximar daquilo que se passa na mente da protagonista. Muitas vezes, mesmo com outros personagens em cena, eles estão desfocados, ainda que estejam falando. O foco é sempre em Fran, deixando em segundo plano todas as vozes, conversas e outros sons que não a interessam. Ao mesmo tempo, os planos detalhes surgem com toda a força quando algo chama a sua atenção.


Os tons frios constroem a atmosfera deprimente que reflete o humor da personagem. Ao mesmo tempo, existe uma esfera do lúdico e da fantasia que perpassa o filme, principalmente através da trilha sonora, que ao final desemboca em uma canção do clássico da Disney, Branca de Neve e os Sete Anões. Quem sabe essa parte lúdica reflita algum lado da personagem que nós não consigamos acessar. Essa fuga da realidade também aparece nas cenas dos pensamentos intrusivos e autodestrutivos da personagem.

Daisy Ridley em Às Vezes Quero Sumir (2023)

Quando Robert (Dave Merheje) aparece, Fran começa a desenvolver um interesse por sua personalidade. Não sabemos exatamente o motivo, já que ele parece ser como qualquer uma das outras pessoas ali. Mas alguns fatos sobre ele atraem sua curiosidade. Porém, Fran não parece ter a estrutura emocional ou a segurança para uma relação afetiva. Percebemos que, por vezes, ela se esforça mas, ao mesmo tempo, acaba afastando as pessoas, o que também dói em quem assiste.


Em certo ponto do filme, a protagonista não consegue fazer mais nada além de ficar deitada no chão por horas. Isso reflete muito bem o que é o estado depressivo: a falta de força, energia e motivação para realizar ações mínimas, como levantar-se. Aqueles que já vivenciaram essa condição, certamente vão se identificar.


A cena em que Fran reencontra Carol (Marcia DeBonis) parece definir o que a diretora queria com este filme: ilustrar as dificuldades da depressão, mas também a vontade de encontrar uma saída. De fato, Fran parece ter esse desejo, mas vemos o quão difícil e doloroso é para ela fazer esses esforços, evidenciados por seus olhares e seu silêncio.


Ao final, quando ela finalmente consegue se expressar e dizer o que passa em sua mente, temos a verbalização dessa dor que ficou tanto tempo internalizada. Apesar de não sabermos quase nada sobre a personagem deste filme, parece que a conhecemos muito bem. Tudo está nos detalhes, algo enfatizado pela fotografia. No fim, parece haver uma luz no fim do túnel e uma pequena fagulha de esperança no conforto de um abraço.



Às Vezes Quero Sumir estreia no dia 23 de Maio nos cinemas.

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